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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Subindo as escadas do sótão - Afonso Cruz


"Subindo as escadas do sótão dos meus avós, havia muitos cavaleiros andantes – a colecção de formato mais pequeno e a maior, ambas quase completas – e revistas Tintin, bem como vários livros de western com fotografias de actrizes como Gina Lollobrigida [sic] na contracapa e títulos fatais na capa (Erro Mortal, Alento de Morte, Beleza Mortal ou Vento Mortal). Também havia revistas Popular Mechanics, alguns Almanach Bertrand e livrinhos de humor com títulos como Selecções Can Can, Proibido Buzinar e Humor Parisiense (onde se liam piadas como «o maior problema das famílias de hoje é sobrar tanto mês depois de o dinheiro acabar», além de citações não creditadas de, por exemplo, Groucho Marx). No meu quarto tinha muita banda desenhada franco-belga (O Raio U foi um dos livros mais lidos) e os clássicos do costume: Stevenson, Wells, Dumas, Verne, contos de Grimm, as fábulas de Ésopo. Das Publicações Alfa, li repetidamente a colecção Carlitos (era assim que, na altura, Charlie Brown era conhecido) e Os Sobrinhos do Capitão. Da Enid Blyton não li mais do que três ou quatro livros de Os Cinco, mas li todos Os Sete e Colecção Mistério. A minha infância acabou, não com a puberdade, mas com um pequeno livro de Dostoiévski chamado Sonho de um Homem Ridículo, da colecção Mosaico". 
https://dl-web.meocloud.pt/dlweb/EVvYIduVXsPfCEU0_FwJHQ/download/2014%202015/lmi_afonsocruz_b.pdf

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sugestão de Leitura do Rodrigo do 3ºE: Os Pássaros de Afonso Cruz

         
           


             A minha opinião sobre o livro Os Pássaros (dos poemas voam mais alto). Quando  comecei  a  ler  os  poemas do  Afonso Cruz,  fiquei maravilhado  com o  que  lia.  É incrível   a  sua  imaginação  e  como  escreve  as  suas  obras.  Um  dos  textos  de  que gostei  mais  foi  o  número  8. Fiquei espantado,  porque  falava  sobre o  amor  e  como  é  amar  alguém. Houve  também outros  textos que adorei  ler  como aquele que   fala  sobre  os  mochos  e que  diz  que quem  os  inventou  foram as  árvores.

             Gostava  de  ter  mais  livros  do Afonso Cruz  para  me entreter nos  tempos  livres  e  ler  mais  histórias  de  imaginação. Gostava  de  conhecer  o  Afonso  Cruz  para  lhe  perguntar  como  é  que  ele  escrevia  tantos poemas  imaginativos.

            Para  mim  ele  é  um  dos  melhores  autores  que  existe.



Rodrigo  Esteves    3ºE



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Os Livros que devoraram o meu Pai de Afonso Cruz


"Os Livros Que Devoraram O Meu Pai" (apreciação crítica) de Afonso Cruz




Como se pode ver aqui, Afonso Cruz é um homem de múltiplos talentos e em boa hora meteu mão à escrita.
Este é um livrinho divertido e sério. Vivaldo Bonfim vivia lendo. Um dia caiu dentro de uma edição de “A Ilha do Dr. Moreau” e nunca mais de lá saiu.
Após este desaparecimento misterioso, os seus livros ficam encerrados no sótão de sua casa até que o seu filho, aos 12, adquira o direito a lá entrar. Nessa altura, o jovem narrador não tarda a seguir as aventuras do pai, procurando-o nesse livro mas sendo também levado a transitar entre várias outras obras, à procura de Vivaldo. Assim vai convivendo com autores e personagens, numa viagem alucinante às profundezas da literatura, deambulando entre clássicos e livros avulsos.
“Não há nada mais estúpido do que amar incondicionalmente, como fazem os cães e aqueles dois que Shakespeare imortalizou” – disse Mr Hyde. Esta e outras frases revelam uma fina ironia e sentido de humor. Personagens célebres transitam de uns livros para outros, por entre exemplos de surrealismo puro, como por exemplo aquele personagem que se faz cão porque o ser humano é o mais desumano dos animais. Na ilha que Wells inventou, os cães recusam ser humanizados. Decididamente, mais vale ser cão…
O nosso herói, filho de Bonfim (note-se o a-propósito do apelido do homem que caiu dentro de um livro) parece vaguear pelas partes brancas dos livros – entre as linhas, entre as palavras e à margem do texto, que é como quem diz, à margem do enredo – como que passeando ao lado do mundo maravilhoso dos romances e da poesia. E talvez seja mesmo nas partes brancas dos livros que se encontra a verdadeira sabedoria: “O mundo não precisa de Lao Tsés. Precisa, isso sim, de Lao Tsés calados.” (página 67).
Raskolnikov (de Crime e Castigo), o rei do remorso, é o principal suspeito do desaparecimento de Bonfim e é perseguido na Rússia (dentro do livro) por Bonfim (filho). Após o final de Crime e Castigo Raskolnikov continua a matar na esperança de que a morte banalizada se torne menos torturante. Afinal, as histórias dos livros continuam sempre. Porque são feitas por homens; homens criados por outros homens e que assim ganham vida. Dentro dos livros há outros mundos; que são reais a partir do momento que foram criados pelo escritor. Porque “Um homem é feito de História” – a ficção é vida como a vida também é ficção; é feita de memórias e todas as memórias são subjectivas. Tudo pode ser moldado, construído ou destruído; renascido ou criado… como num romance! Esta é a lição maior dos livros para a vida.
Enfim, um livro absolutamente original, cheio de criatividade e humor. Um tema que poderia ter sido mais bem explorado. Ficámos com a sensação de se ter perdido uma oportunidade de desenvolver um tema tão original e fértil.
Mesmo assim, sem dúvida, um livro que merece ser lido e relido.